Só você se preocupa com a sua saúde.

Confiamos no que dizem sobre dietas há bastante tempo. Afinal, cientistas pesquisaram e descobriram que somente pessoas com boa genética e muita força de vontade são magras, certo?

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Luise Light, foi chamada para chefiar o time de nutricionistas do USDA, no final da década de 70. Ela estava terminando seu pós doutorado na Universidade de Nova York e estava empolgada com a chance de renovar as antigas recomendações dos Quatro Grupos Básicos (1956). Por meses, ela e seu time de pesquisadores investigaram a literatura científica de alta qualidade, descartaram a moda da baixa ingestão de gordura e buscaram ligações entre dieta e doença.

No final, chegaram à seguinte recomendação diária:

  • 5 a 9 porções de frutas e vegetais
  • 140 a 200 gramas de proteína (carne, ovos, castanhas e feijão)
  • 2 ou 3 porções de laticínios
  • Adicionais óleos extra virgens (azeite) em todas as refeições, sem limitar as gorduras naturais dos alimentos
  • NO MÁXIMO 10% de calorias vindas de carboidratos refinados: inclusive pães, biscoitos e massas!
  • 2 ou 3 porções de grãos: sempre na sua forma integral. Menos do que isso para pessoas sedentárias.

As recomendações de Light foram para a revisão, já que tinham que ser aprovadas pelo USDA e pelo senador McGovern. Já sabemos o que aconteceu: quadruplicaram a quantidade de grãos e eliminaram os avisos sobre grãos integrais e óleos. Os pãezinhos, biscoitos e massas migraram para a base da alimentação. Doces? Em moderação… Um pedaço de pudim, um bombom, um pedaço de bolo e algumas balas tá moderado, né não?!

Light ficou horrorizada com as “correções” de seu trabalho. Ela disse que ninguém precisaria dessa quantidade de grãos, a não ser que a população fosse composta por atletas profissionais. Quadro contrário ao de uma sociedade cada vez mais sedentária (16).

As explicações? Frutas e vegetais eram muito caros, não teriam orçamento para os programas de assistência. É mais fácil orientar a população a comer o que é barato… Uma recomendação assim não faria mal a ninguém.

Quem poderia ir contra os poderosões?


A dieta de baixa ingestão de carboidratos não é uma dieta da moda, nem é radical e nem é extrema. Ninguém sabe ao certo qual a dieta perfeita para os seres humanos, talvez nem exista uma!
Mas, se você está acima do peso, a dieta com melhores resultados para emagrecer e ter boa saúde é uma dieta onde você baseia sua alimentação em vegetais (frescos) e carnes com sua gordura natural (de preferência de animais criados soltos).
Não existe nenhum mistério, apenas desconstruir antigos mitos e substituir o que te faz mal pelo o que te faz bem. (17)

Falarei mais sobre o que comem as populações que ainda mantem costumes antigos.

Compartilhe a verdade e pare de agradar os poderosões. Já é hora de dar atenção para o que o seu corpo realmente precisa!

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Referências:

Este post foi inspirado no livro Death by Food Pyramid (Morte pela pirâmide alimentar, tradução livre), de Denise Minger.

(1) Davis and Saltos, “Dietary Recommendations and How They Have Changed Over Time.”
(2) William J. Broad, “NIH Deals Gingerly with Diet-Disease Link,” Science 204, no. 4398 (1979): 1175-8
(3) Luise Light, “A Fatally Flawed Food Guide,” Conscious Choice”, 2004
(4) “McGovern Lauds Pritikin,” Milwaukee Sentinel, March 1, 1985.
(5) Joe D. Goldstrich, personal phone interview, February 8, 2013.
(6) Eugenia Killoran, “The Remarkable Friendship of Senator George McGovern and Nathan Pritikin,” Pritikin Longevity Center and Spa 

(7) Edward N. Siguel and Robert H. Lerman, “Role of Essential Fatty Acids: Dangers in the U.S. Department of Agriculture Dietary Recommendations (“Pyramid”) and in Low-Fat Diets,” American Journal of Clinical Nutrition 60, no. 6 (1994): 973-4. 
(8) William J. Broad, “NIH Deals Gingerly with Diet-Disease Link,” Science 204, no. 4398 (1979): 1175-8 
(9) James S. Todd, “Keep Meat and Dairy Products in Diet,” New York Times, May 8, 1991.
(10) Sugarman and Gladwell, “U.S. Drops New Food Chart: Meat, dairy groups pressure the Agriculture Department.”
(11) Walter Willet, “The Dietary Pyramid: Does the Foundation Need Repair?” American Journal of Clinical Nutrition 68, no. 2 (1998): 218-9.
(12) Candy Sagon, “A Hard Pyramid to Swallow? You Bet it Is—And I have a Kitchen Full of Bread and Pasta to Prove it,” Washington Post, April 28, 1993.
(13) Marion Nestle, Food Politics (Berkley and Los Angeles: University of California Press, 2012), 51.
(14) Steven E. Nissen, “U.S. Dietary Guidelines: An Evidence-Free Zone”, Ann Intern Med. 2016;164(8):558-559
(15) Santos FL, et al. Systematic review and meta-analysis of clinical trials of the effects of low carbohydrate diets on cardiovascular risk factors. Obes Rev. 2012 Aug 21
(16) Light, What to Eat, 18.
(17) Mente A, et al. A systematic review of the evidence supporting a causal link between dietary factors and coronary heart disease. Arch Intern Med. 2009 Apr 13;169(7):659-69.

Comentários

  1. A manipulação da indústria alimentícia. .. As pessoas seguem esses modismos sem questionar! Excelente trabalho ^_^
    Confio no que você diz pq seu corpo perfeito é a maior prova disso!