Quem escreve

SOU FARMACÊUTICA, MAS ACREDITO QUE O ALIMENTO É O MELHOR REMÉDIO.

Olá, meu nome é Bianca, sou farmacêutica e tenho 23 anos.
Aqui vou deixar um pouquinho da minha relação com exercícios e alimentação para vocês verem que, apesar da minha pouca idade, foi um longo caminho até ficar  “de boas”.

Desde muito pequena, estive cercada de pessoas fazendo dieta. Via minha mãe, minhas tias e outras mulheres sempre reclamando que estavam engordando e precisavam fazer dieta. Eu via de tudo: dieta da sopa, Vigilantes do Peso, pilhas de revistas e anotações sobre cada grama de comida ingerida.

Era um ciclo sem fim: quando se percebiam gordinhas, faziam dieta, emagreciam e… não demorava muito para estarem gordinhas de novo. Minha conclusão: eu nunca poderia ser gorda, seria um caminho sem volta que só me traria sofrimento.

Lembro que a primeira vez que percebi que tinha comido demais, eu tinha uns sete anos de idade. Nesta idade, já estava ciente do que acontecia com as pessoas que comiam demais: elas engordavam. Eu corri para o banheiro, enfiei o dedo na garganta e coloquei tudo pra fora. Esse comportamento se repetiu diversas vezes, até os meus 22 anos de idade.

Como aprendi com as mulheres próximas a mim e com a mídia, mulher tinha que viver em dieta para ficar magra. Somente mulheres cheias de força de vontade eram magras. E as que tinham “genética boa”, é claro.  Eu nunca cheguei a ficar muito acima do peso por conta dessa minha obsessão. Me pesava sempre e, quando percebia que tinha passado do que eu tinha estipulado como peso limite, simplesmente comia muito menos, até voltar para o meu peso normal. Passei a minha adolescência inteira assim.

Esportes? Odiava. Nada de sol, nada de esportes em grupo, nada de nada. Matava todas as aulas de educação física.
Até que, no segundo ano do ensino médio, quando eu tinha 16 anos, me mudei de Belo Horizonte para Coxim, uma cidade do norte do Mato Grosso do Sul. Em Coxim, eu percebi que só com as dietas doidas eu não conseguiria ser magra. Comecei a correr com minha amiga e esse era o único esporte que eu me permitia fazer.

  • Ou vocês acham que emo pega sol?
  • Ou vocês acham que emo se importa com a saúde?
  • Ou vocês acham que emo malha?

 

Quando entrei na faculdade – já morando em Campo Grande –  continuei fazendo o que sempre fiz. Quando percebia que estava gordinha, fechava a boca. Mas foi ficando cada vez mais difícil… Na faculdade, não tinha tempo para ir almoçar em casa e passava o dia inteiro fora, o que me levava a comer as comidas fáceis e rápidas: sanduíches, salgados, lasanhas congeladas, batata assada, tudo regado a Coca-Cola, é claro.

Fui mantendo assim, até o ano de 2013. Eu tinha terminado um relacionamento e estava sofrendo, virei baladeira, saía muito e bebia muito também. Nesse mesmo ano, fiz uma viagem para os Estados Unidos com a minha família. Ficamos 20 dias e eu comi todas as besteiras que você pode imaginar, além de continuar bebendo bastante. O que aconteceu? Muita celulite e roupas que não entravam mais.

  • Flórida, 2013
  • Flórida, 2013

               Alerta vermelho!
Eu estava, oficialmente, gorda. Isso para os meus padrões, é claro.

A reação foi imediata, assim que cheguei dos EUA, comecei a comer muito pouco e correr. Fui perdendo peso aos poucos, mas estava difícil, pois não tinha perdido os costumes de sair de madrugada, beber e ainda parar às 3h da manhã pra comer aquele hotdog duplo com muuuito molho…

Em 2014, entrei muito mais focada. Me matriculei na aula de jump e comia cada vez menos. Fui ficando magra… Muito magra e, para minha surpresa… Não estava gostando do resultado. Magra demais.

  • Versão baladeira 2013
  • Muito foco, força e fé pra 2014
  • Versão fit 2014

 

Era meu último ano na faculdade, entre o stress das últimas disciplinas, entrega do TCC e um novo relacionamento, decidi que queria estar com um corpo memorável na minha formatura que seria em fevereiro de 2015.

Entrei para a natação. Sempre fui boa nesse esporte, apesar de ter ficado mais de dez anos sem praticar. Três vezes na semana, ficava uma hora nadando sem parar. Calorias perdidas? Milhares, com certeza… Perna fina, braços finos, nada de glúteos, só que aquela gordurinha embaixo do umbigo… Massa magra eu tinha perdido tudo, mas a gordura continuava ali. Qual era o meu problema? A recomendação não era só comer pouco e fazer muito exercício? Por que eu não conseguia o corpo dos meus sonhos? Sempre achei que o exercício era o que me faltava, mas estava errada.

Em outubro de 2015, o Lucas, meu namorado, me convenceu a entrar na academia. Ele já frequentava há um tempo porque era muito magrelo e queria ganhar músculos. Disse que a musculação era o melhor exercício para o meu objetivo. Ok, lá fui eu. Como me sentia muito intimidada com o ambiente da academia, resolvi estudar os exercícios para não passar vergonha. Baixei um atlas de exercícios, seguia todos os famosos do Instagram, copiava treinos das blogueiras e, entre tapas e beijos, acabei me apaixonando pela vida maromba.

Mesmo com todas essas fases, nunca descuidei da minha graduação e me formei em Farmácia, na Universidade Federal do meu estado, com nota 9,5 no TCC.

  • Passávamos mais tempo na faculdade do que em casa.

 

Quando chegou a minha formatura, claro que comi e bebi todas, mas logo voltei ao foco. E que foco! Tinha realmente me apaixonado pela vida fitness e queria um corpo como o das blogueiras: centauro style (estilo centaro: cinturinha e quadrilzão)

 

Abandonei a vida de baladeira e comia religiosamente de três em três horas. Fazia minhas dietas inspirada nos cardápios das famosas, fazia cálculos, programava horários. Fazia todas as sete refeições do dia. Vivia à base de peito de frango e batata doce sem sal, pesava até brócolis e couve, vivia em função da minha dieta.

Passei, ainda em 2015, na seleção do mestrado. Entre as pilhas de artigos científicos que tinha que ler, continuava frequentando os blogs fitness.

As compulsões nessa época eram terríveis. Eu ficava nervosa na hora de comer, não conseguia não pensar em comida porque tinha que ter marmitinhas preparadas pra todas as refeições. Até quando decidia sair da dieta, era calculado. Comia qualquer besteira mesmo sem vontade, só porque era permitido “jacar” uma vez por semana e, mesmo assim, me arrependia depois.

Lucas sempre se preocupou com a minha sanidade mental

Lucas sempre se preocupou com a minha sanidade mental

A situação estava tão tensa que o Lucas me chamou num canto e falou que eu estava exagerando, vivendo para a comida e que isso não era saudável. Ele queria apenas sair pra comer com a namorada dele, sem ter que ouvir a composição nutricional de cada alimento.
Eu não enxergava refeições, só via carboidratos/proteínas/gorduras. Quase nada de gordura, né, gente. Um grama de gordura tem 9kcal, quem iria querer colocar uma coisa dessa dentro da boca?

Eu não entendia qual era o meu problema. Alguma coisa estava faltando, eu tinha uma força de vontade incrível pra levar qualquer dieta ao limite. Malhava pesado, mas não ganhava massa magra, não conseguia o corpo desejado. E o pior, quando menos esperava, estava comendo compulsivamente qualquer porcaria. Ou atacando a pasta de amendoim como se não houvesse amanhã.  Procurei uma nutricionista recém formada que me passou uma dieta igualzinho a que eu já seguia… Não que o meu corpo estivesse feio, mas eu estava ficando quase louca e queria resultados à altura, coisa que minhas compulsões não permitiam.

Até que, em um lindo dia no final de junho de 2015, eu estava lendo um blog fitness enquanto tomava meu shake de whey. Eles estavam ensinando a fazer um pão paleo. Claro que eu já tinha ouvido falar da dieta paleo: era uma besteira só. Não podia comer arroz, tinha gente que fazia jejum. Pf. Loucos, exagerados, extremos e radicais, com certeza. Normal mesmo era eu HEHE.

O que me chamou atenção foi o motivo que a blogueira havia começado a dieta paleo: para fazer manutenção da saúde após tratamento contra o câncer de mama. Fiquei extremamente desconfiada e com a pulga atrás da orelha. Comecei a ler o blog dela, passei para o blog do Teco Mendes e, dois minutos depois, estava no blog do Dr. Souto e minha vida mudou naquele momento.

Eu descobri, finamente, qual era o elo perdido: a gordura! A gordura era do bem! Por que falavam tão mal dela? Por que ninguém estava falando sobre essa dieta? Ela poderia ser uma chance de evitar certos tipos de câncer, reverter diabetes tipo 2, manter diabetes tipo 1 sem insulina, melhorar o colesterol das pessoas, tratar contra alergias, ovário policístico, problemas na vesícula, reduzir a quantidade de comida naturalmente, sem contar calorias…

Eu simplesmente devorei o conteúdo disponível em português, logo fui para os blogs em inglês e não demorou para eu começar a consumir os artigos científicos mais recentes sobre o assunto. Falei sobre isso com meus pais, meu irmão, meu namorado, meus amigos. Todas as pessoas mereciam saber que ser saudável e ter um peso adequado não são sinônimos de sofrimento.

No começo, a transição para a vida low carb foi sofrida. Fiquei com dor de cabeça, irritada, cansada… Só depois fui descobrir que deveria ter aumentado a ingestão de sal e água que os sintomas passariam. Mas não desisti, sabia que valeria à pena… E valeu.
Hoje, quase um ano após a descoberta da paleo low carb,  da leitura de vários artigos de blogs,  de artigos científicos e de livros, além dos vários documentários e aulas assistidos, posso dizer: é a dieta mais fácil e com melhor resultado que eu já vi.

Demorei um tempo para encontrar o equilíbrio nessa dieta também, eu não queria sair dela de jeito nenhum, com medo de dar de cara com as crises compulsivas novamente. Descobri a filosofia budista na mesma época que descobri a paleo e, todas essas experiências me ensinaram que comida é apenas comida e eu tinha o controle sobre mim.

A descoberta da dieta paleo low carb, do jeito correto e divertido de me exercitar, junto com o crescimento interno proporcionado pela yoga e meditação me motivaram a criar esse site para ajudar outras pessoas.

Hoje, eu não peso nada, não tenho medo de gorduras e nem de carboidratos. Fico sempre atenta aos sinais que meu corpo dá quando como algo que não estou acostumada e continuo sempre experimentando. Hoje, eu não dispensaria um chopp com os amigos, mas não cometeria os exageros que já cometi. Não recusaria dividir uma batata frita com o pessoal da mesa, mas vejo aquela batata frita como o que ela realmente é: apenas batata frita, eu não preciso ter medo da comida, hoje, eu a controlo.

  • Primeira fase da vida fitness (12/2014)
  • Após um mês de dieta, já via resultados (08/2015)
  • Finalmente massa muscular sem ganho de gordura (04/2016)
  • Resultados sem loucuras (04/2016)

 

Criei esse site para possibilitar uma leitura agradável dessas informações que sei que fazem falta para a maioria das pessoas. Num mundo como a internet, cheio de falsos profetas, é fácil ficar confuso.
Comida é só comida, coma comida de verdade.

Obs: Não procuro substituir nenhum tratamento médico, psicológico ou nutricional. Simplesmente, me disponibilizo a compartilhar experiências e conhecimentos adquiridos pelos mais altos níveis de evidência científica disponíveis na literatura nacional e internacional.