Ancel Keys – Por que você continua seguindo os erros dele?

De onde veio o medo que você sente de comer gordura? Por que todo mundo fala que gordura faz mal para a saúde? É claro que existe uma ciência por trás disso, não é mesmo?
Veja com seus próprios olhos. 

ancel-keys-gordura-mal

Ancel Keys influenciava os cientistas da época porque já tinha publicado outros bons estudos (7)(8) – assuntos pra outro post. Apesar das críticas recebidas, outros profissionais acreditaram em sua palavra e ele entrou pra história da nutrição.

Houve uma fobia generalizada pela gordura alimentar (principalmente a saturada e/ou de origem animal). A população substituiu as calorias das gorduras, pelas dos carboidratos. Além disso, os “alimentos” industrializados começaram a marcar sua presença na rotina das famílias. As refeições ficaram cheias de energia, mas vazias em nutrientes.


Sobre o estudo observacional do Sr. Keys, vou dar uma sugestão de como poderia melhorar: um estudos caso-controle. São os únicos que podem provar o que ele queria.

Eles funcionam assim, vou usar como exemplo o que Keys poderia ter feito para provar sua teoria:

  • Grupo 1 (controle): não seria dito nada, mas o grupo teria que relatar todas as refeições. 
  • Grupo 2 (placebo):  não saberia de nada, mas não poderia comer gordura. Os participantes comeriam uma gordura placebo (algo falso) para evitar o efeito-placebo
  • Grupo 3 (caso): comeria bastante gordura, quantidades controladas pelo pesquisador. Daria até pra fazer grupos que comeriam quantidades diferentes de gordura para mostrar um efeito dose-dependente.

Esse estudo duraria uns 10 anos e não teria poucos participantes. Outros fatores deveriam ser semelhantes entre os grupos, como o resto da alimentação, estilo de vida e idade; a única coisa diferente entre os grupos seria o consumo de gordura.
No final, a estatística demonstraria as diferenças de mortalidade por doença cardíaca em cada um dos grupos. Um estudo assim, NADA FÁCIL, poderia analisar o efeito da ingestão de gordura na saúde das pessoas. 

Percebem a petulância desses estudos? 


Preciso me preocupar com colesterol alto?

Não precisamos nos preocupar com o colesterol total e o LDL, a não ser que estejam extremamente alto (isso indica uma mutação genética) (9)(10). Foque nos triglicerídeos e no HDL (11).

  • ↑ Triglicerídeos: seu consumo de açúcar anda alto e está atrapalhando o funcionamento correto do seu corpo. 
  • ↓ HDL: A fração HDL é como um caminhão de lixo que retira as gordurinhas acumuladas nos vasos sanguíneos. Quando baixo, não cumpre sua função e há depósito de gordura, primeiro passo para as famosas placas de gordura.

Para saber se seu colesterol está bom, faça o seguinte:

  1. Pegue uma calculadora
  2. Digite o seu colesterol HDL e divida pelo seu colesterol total.
    • Ideal: acima de 0.24
    • Alterado: entre 0.10 e 0.24
    • Perigoso: abaixo de 0.10
  3. Agora divida os triglicerídeos pelo HDL
    • Ideal: abaixo de 2]
    • Alterado: entre 2 e 6
    • Perigoso: acima de 6

Mais pra frente detalharei cada fração do colesterol pra vocês. 

Recapitulando: a dieta que contém gordura, não é uma dieta ruim para o coração. Mas, carboidratos em excesso, açúcares e comidas industrializadas são ruins para a saúde cardiovascular.
A eliminação do que faz mal é essencial para sentir os benefícios do que faz bem.


Referências:

Este post foi inspirado no livro Death by Food Pyramid (Morte pela pirâmide alimentar, tradução livre), de Denise Minger.

(1) Nikolai Anitschkow and S. Chalatow, trans. Mary Z. Pelias, “On Experimental Cholesterolin Steatosis and Its Significance in the Origin of Some Pathological Processes,” Arteriosclerosis 3, no. 2 (1983): 178-82.
(2) Ancel Keys, et al. (1 September 1963). “Coronary heart disease among Minnesota business and professional men followed 15 years”. Circulation 28, no 3 (1963): 381–95 

(3) Gráfico traduzido livremente por mim. Ancel Keys, “Atherosclerosis: a Problem in Newer Public Health” (paper presented at the symposium on Recent Advances In Therapy at Mt. Sinai Hospital, New York City, January 7, 1953).
(4) Famous Polemics on Diet-Heart Theory. Henry Blackburn, School of Public Health, University of Minnesota.
(5) Gráfico traduzido livremente por mim. Jacob Yerushalmy and Herman Hilleboe, “Fat in the Diet and Mortality From Heart Disease; a Methodologic Note,” New York State Journal of Medicine 57, no. 14 (1957): 2343-54
(6) Denise Minger. “Death by food pyramid” (2013). Primal Blueprint Publishing, e-book.
(7) Hardy Green, “How K-Rations Fed Soldiers, Saved Businesses,” San Antonio Express-News, March 4, 2013
(8) Leah M. Kalm and Richard D. Semba. They Starved So That Others Be Better Fed: Remembering Ancel Keys and the Minnesota Experiment. J. Nutr. June 1, 2005. vol. 135 no. 6 1347-1352
(9) Yiqing Song, Meir Stampfer, and Simin Liu, “Meta-Analysis: Apolipoprotein E Genotypes and Risk for Coronary Heart Disease,” Annals of Internal Medicine 141, no. 2 (2004): 137-47.
(10) Hannia Campos, Michael D’Agostino, and José M. Ordovás, “Gene‐diet interactions and plasma lipoproteins: Role of apolipoprotein E and habitual saturated fat intake. ,” Genetic Epidemiology 20, no. 1 (2001): 117-28
(11) Protasio Lemos da Luz, et al. “High Ratio of Triglycerides to HDL-Cholesterol Predicts Extensive Coronary Disease”, Clinics. 2008 Aug; 63(4): 427–432.